Por que o glúten se tornou um vilão?

Todos os anos surgem os alimentos ou componentes de alimentos considerados vilões para a saúde. Uma das explicações para isso acontecer é que alguns estudos científicos abordando seus malefícios são publicados e os profissionais da saúde começam a notar os sintomas em algumas pessoas – veja bem, algumas. Outra explicação é bem menos científica, ou […]

Todos os anos surgem os alimentos ou componentes de alimentos considerados vilões para a saúde. Uma das explicações para isso acontecer é que alguns estudos científicos abordando seus malefícios são publicados e os profissionais da saúde começam a notar os sintomas em algumas pessoas – veja bem, algumas. Outra explicação é bem menos científica, ou seja, é por puro marketing.

Para a indústria de alimentos sempre é interessante enaltecer um alimento ou um componente, ou mesmo rotular o outro como o causador dos males da população. O motivo que mais se destaca? Emagrecimento. Uma boa parte das pessoas quer emagrecer e muitas estão dispostas a tudo, até mesmo radicalizar na alimentação.

Nos últimos anos o “culpado” por diversos sintomas digestivos, imunológicos e pelo ganho de peso foi o glúten. No entanto, esses motivos são reais para sua retirada repentina? Primeiro, vamos entender o que é a proteína.

O que é o glúten?

O glúten é uma proteína complexa encontrada em cereais como o trigo, centeio, aveia e cevada, formada por duas proteínas menores, a glutenina e a gliadina. É a sova da massa e a ação da água que faz com que as duas proteínas interajam entre si e formem a rede de glúten, responsável pelo aspecto pegajoso da massa e por reter o gás carbônico liberado pelas bactérias boas presentes na mistura. É esse gás que fará com quem a massa cresça e fique macia!

Embora seja uma proteína complexa e grande, o corpo humano é capaz de digerir o glúten normalmente, pois se assim não fosse, o pão não existiria há milhares e milhares de anos, certo? Entretanto, existem alguns grupos de pessoas que realmente não podem consumi-lo ou devem fazê-lo em menor quantidade. Saiba mais sobre eles.

Doença celíaca, sensibilidade ao glúten não-celíaca e alergia ao trigo

Alguns indivíduos são portadores da doença celíaca e representam cerca de 1% da população. Estes não podem, em hipótese alguma, consumir fontes de glúten ou ter contato com partículas da molécula, seja através de utensílios, alimentos industrializados, etc. Essa condição consiste em um processo imunológico, no qual o corpo é incapaz de digerir a proteína e, ao entrar em contato, gera um processo inflamatório grave que traz sintomas desagradáveis aos celíacos: distensão e dores abdominais, diarreia, perda de sangue pelas fezes, entre outras consequências.

Outro grupo de pessoas não consegue digeri-lo completamente, ou seja, os “restos” no intestino podem provocar uma sensibilização que leva a um processo inflamatório leve. É a chamada sensibilidade ao glúten não-celíaca ou intolerância ao glúten. Os sintomas em relação à doença celíaca são parecidos, mas muito menos intensos, podendo causar desconforto no dia a dia devido aos gases e desconforto intestinal, mas sem trazer as consequências graves de um celíaco não-tratado, como perda de peso, má absorção de nutrientes, etc. No entanto, os intolerantes ao glúten não precisam retirá-lo radicalmente da dieta.

Ainda há um terceiro grupo que apresenta alergia ao trigo – não necessariamente ao glúten. Aqui as reações exacerbadas são mediadas pelo sistema imunológico através de um anticorpo chamado imunoglobulina E (IgE) e os sintomas podem ser respiratórios (anafilaxia, asma, rinite), na pele (urticárias e dermatites) ou digestivos (diarreia, distensão abdominal). A alergia atinge mais as crianças e podem até desaparecer com o tempo.

Ele é um vilão para a saúde?

Se o indivíduo não está incluído em nenhum dos grupos acima, não há necessidade de excluir o glúten da dieta, muito menos quando o motivo é emagrecimento. Não existem comprovações científicas que garantam a perda de peso ao retirá-lo da alimentação. O profissional capaz e responsável por fazer um diagnóstico preciso é o médico. Caso algumas das condições acima sejam detectadas, o nutricionista é quem auxiliará na criação de um cardápio adequado para o paciente.

Não faça dietas restritivas sem acompanhamento médico, muito menos se foi porque leu em algum site ou ouviu um amigo discorrer sobre suas melhoras. Uma mudança na alimentação naturalmente fará com que seu corpo responda bem e isso pode se confundir com os benefícios relatados. Procure sempre orientação nutricional com o profissional de sua confiança!

Você possui a doença celíaca, sensibilidade ao glúten ou alergia ao trigo? Deixe um comentário para nós e conte mais sobre você.

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