Entenda a diferença entre anorexia e bulimia

Distúrbios alimentares acometem em sua maioria o público feminino, representando mais de 90% dos casos. Os mais comuns são anorexia e bulimia, nomes conhecidos para a maioria da população, mas que não são facilmente identificados por quem não conhece sobre o assunto e, se não detectado e tratado cedo, podem levar a graves consequências. Os […]

Distúrbios alimentares acometem em sua maioria o público feminino, representando mais de 90% dos casos. Os mais comuns são anorexia e bulimia, nomes conhecidos para a maioria da população, mas que não são facilmente identificados por quem não conhece sobre o assunto e, se não detectado e tratado cedo, podem levar a graves consequências.

Os transtornos alimentares surgem, em geral, por causa de uma complexa relação entre aspectos biológicos, psicológicos e socioculturais. Sua múltipla etiologia demonstra que é importante uma interação multidisciplinar, feita por nutricionistas, psicólogos, médicos e assistentes sociais.

O que é bulimia?

Bulimia ou bulimia nervosa é um transtorno alimentar grave, no qual a pessoa come exageradamente e, em seguida, tenta compensar esse comportamento através de métodos inadequados como exercícios em excesso, indução do vômito, uso de diuréticos e laxantes, jejuns prolongados, etc.

A pessoa tem uma compulsão alimentar, ou seja, perde o controle sobre a quantidade de alimentos ingeridos. Um episódio de compulsão pode levar a pessoa a ingerir até 5.000 kcal de uma única vez. É comum o indivíduo se alimentar sozinho ou escondido, sem se importar com a preparação da comida ou até mesmo seu sabor.

O sentimento de culpa vem após o episódio compulsivo com certo mal-estar físico em razão do excesso de alimentos consumidos. A ação de induzir o vômito ou recorrer a outros métodos para evitar o ganho de peso traz sensação de alívio no momento e a certeza de que agindo dessa maneira não vai engordar e pode comer o que quiser. Alguns pacientes chegam a vomitar de 15 a 20 vezes no dia e que, normalmente, levam a um quadro de desidratação grave.

É um distúrbio difícil de ser reconhecido e descoberto pelos familiares e pessoas próximas, pois a pessoa mantém o peso sob controle e recorre aos métodos longe de todos. Cerca de 1% a 5% dos adolescentes e de 1,1% para 4,2% das mulheres nos EUA tem bulimia nervosa.

Aos familiares e pessoas próximas é importante ficar atento aos episódios de compulsão alimentar, às idas frequentes ao banheiro, perda de vivacidade na pele e controle excessivo do peso. Caso perceba alguns desses itens, converse com a pessoa primeiro e, se necessário, estimule a visita a um psicólogo ou médico psiquiatra. Eles são os profissionais capazes de identificar algum distúrbio comportamental e alimentar, se houver.

O que é anorexia?

Anorexia ou anorexia nervosa é um distúrbio alimentar no qual a pessoa se vê com excesso de peso, mesmo quando está visivelmente abaixo do peso. O ato de comer, a alimentação e o controle de peso se tornam obsessões. Indivíduos com anorexia nervosa normalmente pesam-se repetidamente e comem quantidades muito pequenas de alguns alimentos apenas.

Algumas pessoas com anorexia nervosa também podem desenvolver compulsão alimentar seguida de dieta extrema, exercício excessivo, vômitos induzidos ou uso excessivo de laxantes e diuréticos, assim como a bulimia. De acordo com a National Library of Medicine, um número significativo de pessoas com bulimia nervosa também tem anorexia nervosa. É uma doença muito grave, com risco de mortalidade em torno de 5 a 15% dos casos.

Os sintomas de anorexia nervosa incluem:

  • Peso corporal extremamente baixo;
  • Restrição alimentar grave;
  • Busca incessante pela magreza e falta de vontade para manter um peso normal ou saudável;
  • Medo intenso de ganhar peso;
  • Distorção da imagem corporal e autoestima que é fortemente influenciada pela percepção de peso e forma corporal;
  • Amenorreia (cessação de menstruação nas mulheres).

Algumas pessoas com anorexia nervosa conseguem se recuperar com o tratamento, mas outros têm muitas recidivas. Se a doença é crônica ou já vem durando um longo tempo, a saúde fica comprometida e pode ser necessária internação hospitalar para recuperá-la.

Outros sintomas e complicações médicas podem se desenvolver ao longo do tempo, incluindo enfraquecimento dos ossos, cabelos e unhas quebradiças, pele seca, crescimento de pelos finos em todo o corpo, anemia, perda de massa muscular, fraqueza, constipação severa, pressão arterial baixa, dano cerebral, queda na temperatura interna do corpo, letargia, entre outros.

Quais os motivos para que os distúrbios alimentares ocorram?

Como é um processo multifatorial, existem os componentes biológicos, psicológicos, familiares, sociais, culturais e genéticos.

Fatores biológicos podem ocorrer por alterações nos neurotransmissores moduladores da fome e da saciedade: noradrenalina, colecistoquinina, serotonina e outros neuropeptídios. Fatores psicológicos incluem baixa autoestima, comportamento rígido e alterações cognitivas.

Fatores hereditários (genéticos) podem ter grande importância nos transtornos alimentares, uma vez que já foram observadas pessoas de uma mesma família com o mesmo problema.

Atualmente a obsessão em ter um corpo magro e perfeito é extremamente estimulada e reforçada em nossa sociedade, e aqui estão incluídos os fatores socioculturais. Atrizes e modelos conhecidas por sua beleza e magreza são, geralmente, o oposto do que se observa na esmagadora maioria da população. No entanto, isso não é explicado para crianças e adolescentes em formação corporal e psicológica, que buscam aceitação social a qualquer custo – custando até mesmo a própria saúde.

Nesse ponto a família e escola têm papel fundamental em comunicar que um corpo magro não significa necessariamente saúde e que respeitar o próprio corpo é mais importante que tudo. O ambiente familiar conta muito na hora em que o diagnóstico é feito e o paciente precisa de tratamento intensivo.

O tratamento dos distúrbios alimentares quase sempre inclui psicoterapia cognitivo-comportamental individual ou em grupo. Os medicamentos podem fazer parte por um período quando combinados com a psicoterapia.

E você, já conhecia a diferença entre bulimia e anorexia? Deixe sua opinião nos comentários!

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